Take me away from this big bad world and agree to marry me.

Abril 09, 2008

“I wish God was alive to see this!”

Lembrei-me da última vez que fui a Fátima. A minha mãe obrigou-me a ir porque fez uma promessa. Não acredito em promessas, é comprar a boa vontade dos santos e dessas pessoas todas. E dar dinheiro à grande máquina que Fátima e a Igreja são. Mas adiante. Como estava a dizer, a primeira vez que lá fui era pequena e não percebia o significado daquilo; foi entediante. Nunca fui de acreditar nisso, em alguém ou algo superior que está lá em cima a olhar para e por nós. Aprendi a rezar o Pai Nosso e o Avé Maria com a minha avó, ela sempre levou essas coisas a sério. Eu rezava à noite enquanto pensava no sentido que aquilo fazia, não fazia nenhum. Era palavras vazias. Praticamente fui obrigada a ir à catequese.

“Fazes plo menos a primeira comunhão!”,

diziam. Foi o que fiz. Lembro-me desse dia, da comunhão. Quando o padre me deu a hóstia, pensei

“Esta coisa sabe a Nestum!”.

Tolinha... Cumpri a minha parte do acordo, eles cumpriram a deles. Nunca mais voltei à catequese. A não ser uns anos mais tarde quando já não sei porquê fui com a minha mãe a igreja e à saída uma catequista me ouviu a dizer que para mim aquilo não fazia sentido e não conseguia acreditar. Convidou-me a ir à próxima “sessão”, fui mas já não me lembro do que falamos. Lembro-me que saí de lá igual. Há coisa de meses, quando a minha mãe me levou a Fátima, foi diferente. Não foi entediante, foi assustador. Durante a missa olhava à minha volta e as pessoas estavam completamente embrenhadas naquilo, em si mesmas e em alguma coisa superior. Algumas choravam. Eu tive vontade de chorar também, não porque estava a sentir alguma coisa, mas plo contrário. Não conseguia sentir nada. Eu tentava e tentava sentir alguma presença, sentir o significado daquilo mas só me sentia vazia. E tive medo. Dei comigo a tentar acreditar com todas as forças que tinha. Lembro-me que pensei que era injusto os outros sentirem e eu não. Queria perceber o que isso era. Vim de lá devastada. No regresso a casa enviei uma mensagem a um amigo,

“Procurei a fé. Não encontrei nada. Deus abandonou-nos.”

“Há muito tempo.”


Citando as palavras do professor de Estética (a culpa foi dele, falou nisso na aula e fez-me recordar tudo),

“Deus há muito tempo que não está a olhar para nós. Está a jogar às cartas ou a fumar uma ganza.”








/Tv on the Radio - Let the Devil In (irónico...)

27 Sociability:

C. disse...

sorri a ler isto.
depois senti-me sozinha.

vi um filme do Wim Wenders chamado Lisbon Story. acho que ias gostar.
tem uma cena com o Manoel de Oliveira a falar de como a Arte é sinónimo de Religião. perspectivou as coisas de outra forma, não daquela que eu assumia, apesar de sempre ter achado que Deus está em nós porque somos pequeninos bichos cheios de Universo que fazem girar a engrenagem. e isso é visivel numa coisa tão banal como num amontoamento de gente, num concerto, numa manifestação. quando se juntam. mas andamos todos muito sozinhos.
não foi Deus que nos abandonou. fomos nós que nos abandonámos a nós mesmos.
e é tramado.
compreendo, também gostava de sentir aquela fé toda em lágrimas e vontade, dedicação. mas eu não consigo ser escrava do "acreditar" numa figura que nos venderam. não nessa em fátima.
de resto, todos os Deuses são iguais e têm todos pontos em comum. (tive algumas aulas acerca disso, surpreendeu-me muito.)
secalhar Deus está a jogar às cartas mesmo, ou a fumar uma ganza, nós também.
O Universo está de acordo com o que é.
não com o que deveria ser.



(entretanto perdi-me nos pensamentos. obrigada por me fazeres pensar. beijinho *)

telma disse...

sinto isso também. gostava de acreditar, acho eu.
não tenho por hábito a ir a missa. acho desnecessário irmos a missa. não serve para mais nada senão as velhinhas falarem mal umas das outras e ver as roupas de uns e de outros. pelo menos aqui é assim. se é para isso que se quer a missa, então tá bem. acredito que haja uma especie de entidade superior, talvez. e basta-me isso.

como uma vez alguém disse, ' Deus só serve para nos virarmos para ele quando estamos mal'. *

tânia disse...

recentemente sentei-me num café e escrevi nove pags sobre isto.
sabes...quando eu era pequenina sentia de facto essas coisas. fui eu que quis ir à catequese, andar nos escuteiros, ir à missa. sentia mesmo uma espécie de presença.
recentemente entrei na igreja dos mártires, no chiado, um daqueles domingos azuis. à minha volta havia gente a rezar. eu fiquei ali sentada a olhar à volta e comecei a chorar, por saber que a fé é um caminho que me está vedado. creio que a nossa geração só acredita no cientificamente provado...não sei se isso é bom ou mau. não sei se deus existe ou não, mas sei que é algo que nunca mais celebrarei numa igreja. acho que serve apenas para dar as respostas simples que o povinho precisa, e para manter as pessoas na ordem. tudo isto deixa-me muito triste. *

Bruno disse...

Deus é criação do homem, logo se não acreditamos não existe. Funciona de uma maneira bastante simples comigo eheh.

Mas nós precisamos de um deus para olhar por nós? precisamos de ter fé num ser que não existe, ou mesmo que existisse era invisivel ou imaginário, nao sei, é demasiado absurdo.

A historia toda dos deuses parece que um dia já nao temos pais para lhes confinar os nossos medos ou ja nao temos coragem para andar na rua de olhos erguidos. Isso não é falta de fé nem é deus que nos abandonou.

somos nós que nos desresponsabilizamos e sem fazer nada ( pois nós só pedimos, ah por favor deus ajude-me bla bla bla )queremos que tude mude.

Nós não perdemos a fé, tornamo-nos preguiçosos e comodistas.

E sim sou o bruno, o bruno que conheces-te no iscte.*

Miguel disse...

também fiz acordos desses com os meus pais, e oh, como te percebo. nunca entendi todo a devoção à igreja e derivados, nunca me entrou na cabeça, mas fiz o que me pediram para dar mais uma hipótese, mas não deu.

faz-me muita confusão também a fé toda das pessoas, e a emoção com que vibram com a igreja.

enfim

um beijo

charlotte. disse...

credo.
eu sou bem assim também. tenho pais evangelicos e não consigo me sentir tão a vontade como eles na igreja. nem acreditar, nem nada.
e eles dizem todo dia 'basta tão somente crer...'
mas, eu não consigo. enfim.
...

nem tinha ligado os fatos, do last week com o radiohead. rs

beijo.

Rafa_Bundas disse...

de facto, a minha vida em relação à religião foi semelhante à tua. pais religiosos a tentar "impingir" ao filho a sua religião...
quando era pequenino andei na catequese e convenci-me de que acreditava naquilo afinal na minha casa a religião é tratada quase como um dogma: ninguém a questiona e se o fizer demasiado está a desrespeitar os santinhos e é herege. enfim, cheguei até à Profissão de Fé (que já fiz por favor) e ainda queriam que me fizesse o crisma ameaçando-me de que "depois quando quiseres, o senhor Padre não te casa porque não és crismado!".
li um bocadito sobre religião, informando-me e à procura de novas ideias e conceitos e acabei relativamente na mesma.

uma das coisas que mais me chamou à atenção aqui foi o facto de eu ter tido uma experiência bastante semelhante à tua em relação a ir a Fátima. de facto fui obrigado a lá ir por uma promessa feita pela minha mãe, relativa ao meu sucesso nos exames nacionais, e eu lá tive que ir aturar aquilo.

"Seca, seca, secante, aborrecido, completamente desnecessário" foram umas das palavras que mais me vinham à cabeça mas admito que estudei aquilo atentamente, afinal já não lá ia à imenso tempo e aquilo era novo para mim.

Fiquei quase como tu também, mas acabei por ficar um bocado "assustado" com o ambiente austero, espiritual e religioso daquilo.

Conclusão: Fátima é um bom lugar para se estudar ou meditar.

De resto, continuo a achar que Deus não existe, mas se alguma divindade existir e ela for relativamente bondosa, penso que não se vai chatear muito comigo ^^

Gostei do teu post, blog e fotolog (descobri-te através do meu. lol)

Beijinha*

Julia Malaguti disse...

Sabe, não acho que a fé está exatamente em deus, ou em prédios com lindos arranjos e um paroco. ela está em cada um de nós, mas de formas diferentes. pense no que voce acredita, em qual é a SUA fé, no que VOCÊ sente. no fim, é um diferente igual.
Outro dia tivemos uma palestra no colégio, daquelas que se planeja no dia anterior formas de se dormir na cadeira. era um tema que eu conhecia muito bem, melhor que vários lá, sabia que imagens e palavras tentariam nos convencer das mentiras médicas, e por essas razões achei que só me entediaria. Acabou que não, pus-me a chorar no meio de todos, deixei as fraquezas expostas, a quem quisesse ver.
Ok, agora a razão pela qual te contei isso: depois de terminadas as aulas, eu já controlada esperando alguem me buscar na saída, me toca o ombro um menino perguntando como estava, ele estava sentado atras de mim quando comecei a chorar. depois disso começou a falar como Jesus o havia salvo, como ele se livrou dos problemas dele com drogas graças a Ele, como aquilo me ajudaria (mesmo que ele não soubesse o meu problema), e que Ele levou toda a nossa dor e pecado na cruz. O que mais me doía era a minha total falta de crença em cada palavra dita, meu total descaso àquele tal Deus ou esse tal Jesus, seu filho. E como eu tinha certeza que aquilo NÃO me salvaria, pois se eu não consigo fazê-lo sozinha, como alguem que não faz ideia das minhas razões e dores poderia? Só por que havia sofrido mais que eu? Duvido, a propria dor é sempre a maior do mundo.
Pra resumir, sei o que sente. é vazio, assusta, incomoda. parece que ha algo a ser preenchido, mas que o que te dão para fazê-lo simplesmente não encaixa.

Bernardo disse...

nao tive tempo pa ler. eu nao sei mas ok ^^ tens de me dar o teu cellphone number

Annie disse...

quando era miúda obrigavam-me a ir à missa, a minha avó e quês, eu detestava aquilo, primeiro porque não percebia nada do que se dizia, depois porque só via cús e as velhotas tinham todas um bigode farfalhudo e queriam sempre dar-me beijinhos.
uns anos mais tardes a minha turma de catequese ficou sem catequista, pq já todas haviam tentado. mas os pioneses teimavam em ir parar-lhes às cadeiras e as minhocas acabavam por aparecer na nossa sala de uma maneira ou de outra.
depois comecei a detestar tudo o que girava a volta disso, mas um dia conheci um padre inteligente, o único que conheci em toda a minha vida. e só ele me fez ver algumas coisas de outra perspectiva.
a igreja é uma hipocrisia. sei que há pessoas que precisam mesmo daquela rotina da missa de quinta às oito e a de domingo pela hora de almoço. noutras é só hipocrisia. caiu uma senhora velhinha das escadas da igreja e tudo o que preocupava as pessoas era a missa estar atrasada, era o coitado do padre que ainda tinha de ir dar a missa a não-sei-onde. coisas destas fazem-me rir. pq são em escala pequena, mas quando penso nas dimensões maiores da coisa perco a vontade.
não acredito em Deus algum. dei por mim a chamar por Deus. mas ele não me ouviu, e acho dificil perdoar-lhe. depois nunca mais o procurei.
acredito em milagres, mas não os dele. não o odeio, porque não acredito nele sequer.

não sei até que ponto precisava de acreditar. mas já precisei mais do que hoje.

no dia em que existir uma formula que prove que todos os Deuses não existem, declara-se logo o fim do mundo. as pessoas precisam disso para se 'aguentarem', mas à custa do seu Deus quantos já não se mataram...?

as pessoas não fazem sentido. e eu ainda menos.
a ultima vez que fui a uma missa, senti-me enfiada numa autêntica seita. and that's all.
respeito toda a gente que acredita. mas não tenho grande simpatia pela igreja, não.
tem de haver alguma coisa superior a nós, tem. agora não é de certeza esse Deus que pintam.
a ultima vez que precisei de um Deus, troquei-o por um gato. rezar a um gato, só pq não temos um deus que nos valha.
as vezes devia ficar calada.




um beijinho na testa.*

Lord of Erewhon disse...

Tu és muito especial.

Dark kiss.
P. S. Esse professor de Estética é singular... se, por hipótese, for daqueles que facilmente cativa e se rodeia de meninas, sem nada fazer para as levar para a cama... poderás estar a ter aulas com um Satanista:

5ª Regra do Satanismo - Não tomes iniciativas de índole sexual a não ser que te sejam dados sinais de receptividade.

:)

P. P. S. Tu és a menina em cima da árvore.

Anónimo disse...

(fiquei feliz com o teu sussurro.)




Annie,

Lord of Erewhon disse...

Vai à foto estreitinha(que eufemismo!), no final do post, e clica em ENLARGE... depois procura a menina em cima da árvore... :)

Klatuu o embuçado disse...

(Pensamento gótico da tarde) Antes de eu morrer dás-me um beijinho? :)=

Dark kiss.

charlotte. disse...

acho que estou/estive no meio termo sempre.
pensando agora, lembro sempre de estar entre duas coisas e permanecer ali.
e já não sou tão menina assim. u.u'

esteja bem.
:***

Klatuu o embuçado disse...

Bom feriado, bichinha... ;)

Yan disse...

por vezes é mesmo painful

charlotte. disse...

'um troço' é uma coisa.
que eu fiquei quase três meses querendo ouvir...mas, quando ouvi não consegui falar nada alem de não. e foi bom.
os dis não são assim tão leves. mas, eu tento.
e aqui é quase sempre quente. como se não bastasse morar no brasil, ainda inventei de nascer na bahia, daí o calor é insuportavel.rs

beijo.

Rita disse...

quando estive no bairro, na última quinta/sexta-feira, lembrei-me de ti. também gostava de ter um abraço e um beijinho teu. encontros difíceis, os nossos... *

Annie disse...

pensei que tens sorte em poder ter uma foto como aquela, por teres tido oportunidade de te sentar ali.
sei lá.

pensei isso.
e disse.




beijinho no nariz, Chaka.*

Rafaella disse...

Ei menina Chaka...
Não desiste.
Ele está sim olhando por nós.
Ele me disse.

;)

Beijinhos.

Rafaella disse...

ps: mas nada de missas, ok?

rs

Lord of Erewhon disse...

Tão pequenina e abandonada, o meu amor no banco de jardim... :)

Dark kiss.
P. S. Não tem dado para ir ao coiso, porque ele tem andado coiso com o mundo... mas ele muito apreciou o beijinho que ficou guardado...

Lord of Erewhon disse...

P. P. S. Já viste a menina em cima da árvore ou não?
É mais para a direita.

Lord of Erewhon disse...

... Vestidinha de preto? Cuidado com as idas ao «Tocsin» e ao «Transmission»... se ficas Gó matas esta atracção entre pardala de Java e corvo! LOL!

Klatuu o embuçado disse...

Que aconteceu, ó drama queen?

Klatuu o embuçado disse...

Chora no meu ombro, enquanto te coço uma orelha... :)

Beijinho.